sábado, outubro 07, 2006

São Paulo de 4

O título sugestivo não deveria sugerir nada... Apenas um ponto de referência no meio de um quarteirão (ou na esquina dele, sabe-se lá, nunca o vi) bem no seio da cidade... No seio farto da cidade fragmentada que insiste em se mostrar integral, orgânica e coerente.
Fragmentada ela, meu amor, urbana, cidadela d'alma de mim mesmo! Fragmentado eu, minha contradição, urbano, ponto de fuga em um quadro que insiste na não finalização, após quase trinta anos...
E sigo a andar, porque ouvi uma vez uma melodia que diz-me "andar é reconhecer... porque nem sei quem sou"... E não reconheço cada ponto do globo, do mundo, do planeta São Paulo; ou da finitude emoldurada de mim mesmo... "Em uma moldura simples, sou aquilo que se vê".
Vou andar daqui a pouco, ver algo, sobre o qual não crio mais nenhuma expectativa. Nenhuma, juro!
E falo hoje como há anos atrás, o que me termina o humor e a paixão de seguir em frente, sempre em frente, como um cavalo de corrida que jamais chega a Tróia, porque tem um falso destino. E volto a dar voltas em torno de meu próprio irraciocínio cruel comigo mesmo...
Por isso, é hora de cultivar uma horta...
Até mais...

Apesar dos acontecimentos

Ainda amo São Paulo, normalmente vejo as pessoas xingando sampa quando são assaltadas, batem o carro, terminam um namoro, sei lá, quando acontece qualquer merda, falam que querem mudar de São Paulo, bate o maior sentimento bucólico nessas pessoas. Como eu já estou de saco cheio de matinhos, de fofocas em cidades pequenas e de malditos grilos, sapos e passarinhos cantando nas horas mais inapropriadas do mundo, prefiro muito mais São Paulo.
Quando eu vejo as pessoas imitando o Zé Rodrix, acredito que elas pensem que vão estar sempre de férias, que vai ser sempre sossego, que vai ser sempre lindo ver o sol nascendo por entre as árvores, que o canto do sabiá vai sempre trazer paz, que é muito cool plantar o que come.
Bem, eu morei uns seis anos no campo, plantando tudo que comia, mantando tudo que comia, ouvindo passarinhos, nadando no rio numa tarde quente, cortando madeira para acender o fogão a lenha, jogando bola no terreirão de secar café, correndo no meio da mata atlântica, roubando jabuticaba e laranja, enfim, quase um Chico Bento. Depois, de toda essa experiencia, só tenho que dizer que é um saco, um tédio que quase leva ao suicídio, prefiro citar o Drummond: "Eita vida Besta".
Amo São Paulo, tem que acontecer muita coisa para querer sair dessa cidade.

Minha Primeira Vez

Ontem a noite deixei de ser especial, fui assaltado, sério, pela primeira em São Paulo fui assaltado, levaram meu celular, tudo bem, ele foi apenas um real e vou pegar outro de graça, nem to ligando muito para isso. Mas, o que pesou mais foi o sentimento de que sou um ser normal, que é roubado.
Realmente é uma sensação estranho, fiquei pensando o que poderia fazer, estava com duas amigas e oito cervejas nas mãos, decobri que sou realmente uma pessoa fria, pois durante o pouco tempo que isso levou, pensei em deixar cair as cervejas no chão e dar um soco na cara do figura que levou meu celular, mas além disso pensei que ele poderia estar realmente armado, pensei que seria até fácil sair da linha de tiro se ele tivesse armado, mas poderia deixar minhas amigas desprotegidas, depois pensei, só paguei um real por essa porcaria, com certeza pego um bonus e levo outro celular de graça, cheguei então a conclusão de que seria melhor deixar ele levar o celular, seria até bom, nos dias que ficasse sem ele economizaria uma boa grana pelo menos. E quando ele finalmente foi embora e deu as costas a tentação foi grande, mas resisti, acreditei que ele morava na pracinha da Ana Rosa e se, por um acaso, eu conseguisse enche-lo de porrada ali, não conseguiria andar tranquilo perto da minha casa por um bom tempo.

Acho que fiz a coisa certa, ninguem se machucou, domingo já vou estar de celular novo as cervejas chegaram inteiras e geladas em casa, ocorreu tudo bem.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Nota rápida

Se você achar uma mulher legal e bonita num show, aborde-a alia mesmo, não procure pelo orkut dela e mande e-mail. Não é legal. Podem te chamar de louco depois, inclusive a garota legal e bonita.

Loja de Conveniência

As vezes me pergunto se sou uma loja de conveniência, estou sempre disponível para os amigos e os não tão próximos assim, tenho que parar de dormir com o celular do meu lado, isso já seria um bom começo.
Acho que preciso deixar de ser tão bonzinho, como meus amigos já me alertaram, bonzinho só se fode, estou começando a acreditar nisso.
Claro que tenho minha parcela de culpa, depois de tanto me dar mal já deveria ter aprendido essa regra, mas, como sou cabeça duro, vou seguindo.

terça-feira, outubro 03, 2006

Quanto Vale uma Alma?

Quanto será que vale uma alma?

Essa é uma questão delicada, sempre falou-se em vender a alma em troca de algo, seja dinheiro, poder, amor e paixões. Mas com as mudanças que estou passando, e que todos passamos, estou me perguntando: Qual o preço que estou pagando para mudar, quanto da minha alma estou entregando, as vezes de graça, sem me preocupar com o preço, sem ler as letras miudas. O que será que continua essencialmente eu, com aquela inocência do passado, com os sonhos, com as crenças e com meus modelos. E o que será que mudou? Será que um dia vou esquecer quem fui?
Hoje, apenas sei que não faço a menor idéia do que serei.
A tendencia desse blog é ser bem mais animado, porque sou bem mais animado que isso, mas vou usa-lo para refletir sobre minhas escolhas, mas prefiro refletir rindo (clown).